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Lula, em discurso histórico: o Brasil voltará a ser uma força positiva no mundo


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247 – O ex-presidente Lula foi recebido com honra e aplausos no Parlamento Europeu nesta segunda-feira (15), em seguida ter ficado 580 dias seguro injustamente no Brasil, numa fala para que um regime neofascista fosse implantado no País. Lula fez um exposição histórico e foi ovacionado pelos eurodeputados em seguida sua fala.

Suas primeiras palavras – por vezes trecho de improviso – foram um gratulação à solidariedade que recebeu neste período de sua vida, em 2018. Tanto às lideranças progressistas europeias que saíram em resguardo de sua inocência quanto à Vigília Lula Livre, que durante todos os 580 dias cantava “bom dia” e “boa noite presidente Lula” em frente à Polícia Federalista de Curitiba. Lula disse ter entendido o poder da solidariedade.

“Agradeço a oportunidade de falar no Parlamento Europeu e poder, diante da prensa internacional, agradecer forças progressistas europeias tão solidárias ao Brasil desde o golpe contra a presidenta Dilma até minha prisão. Estou livre. E o juiz que me condenou está sob suspeição”, disse hoje.

Posteriormente expor o risco pelo qual passa o Brasil com Jair Bolsonaro no poder – uma peça importante na extrema direita fascista e nazista mundial, em suas palavras – o ex-presidente brasílio e líder nas pesquisas na disputa de 2022 trouxe uma mensagem otimista: “o Brasil voltará a ser uma força positiva no mundo. Voltaremos a ser criadores de políticas públicas capazes de mudar para melhor o nosso planeta”.

Antes do Parlamento Europeu, Lula passou pela Bélgica, onde se encontrou com lideranças progressistas e, anteriormente, pela Alemanha, onde se reuniu com o horizonte chanceler, Olaf Scholz, e sindicalistas. Em viagem pela Europa desde o dia 11, o ex-presidente terá agenda ainda na França e na Espanha.

Assista e confira a íntegra de seu exposição no Parlamento Europeu:

Eu quero iniciar falando não da América Latina, nem da União Europeia, nem de qualquer país, continente ou conjunto econômico em privado, e sim do vasto mundo em que vivemos todos nós – latino-americanos, europeus, africanos, asiáticos, seres humanos das mais diferentes origens.

Vivemos em um planeta que tenta a todo momento nos alertar de que precisamos de novas atitudes e de uns dos outros para sobreviver. Que sozinhos estamos vulneráveis às tragédias ambientais, sanitárias e econômicas. Mas que juntos somos capazes de erigir um mundo melhor para todos nós.

No entanto, ignoramos esses alertas. Insistimos em não aprender com os erros do último.

O resultado da nossa falta de compreensão está à vista de todos: pandemia, desigualdade, míngua, emergências climáticas que no horizonte próximo poderão comprometer a sobrevivência da espécie humana na Terreno.

Apesar de tudo isso, quero reiterar nesta ocasião minha crença inabalável na humanidade.

Não nasci otimista – aprendi a ser. Porque vi em vários momentos da minha vida o quanto um ser humano é capaz de realizar, e o quanto um povo é capaz de erigir, quando existe força de vontade e geração de oportunidades.

Quem vive hoje no Brasil, ou acompanha o noticiário sobre o país, tem todos os motivos para estar pessimista. Mas aonde quer que eu vá, faço questão de expor: o Brasil tem jeito – apesar do projeto de devastação disposto em prática por um grupo de extremistas de direita sem a menor noção do que seja cuidar de um país e de seu povo.

O Brasil tem jeito, apesar dos 19 milhões de brasileiros que passam míngua. Apesar dos 19 milhões de desempregados e desalentados, que já desistiram de procurar um novo serviço. Apesar dos ataques constantes contra a população negra e indígena. Apesar do progressão da devastação do meio biossistema, inclusive na Amazônia.

E apesar, sobretudo, das mortes de mais de 610 milénio brasileiros, muitas delas evitáveis – caso houvesse por parcela do atual governo o interesse em combater com seriedade o coronavírus.

Apesar de tudo, digo com totalidade fé: o Brasil tem jeito. Sei disso porque num último muito recente nós fomos capazes de reconstruir e transformar o país, e temos plena capacidade de reconstrui-lo outra vez.

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Da mesma forma que acredito que o Brasil tem jeito, acredito também que o mundo tem jeito. Apesar dos 750 milhões de pessoas que passam míngua, apesar dos 5 milhões de mortos pela Covid-19, apesar da desigualdade que não para de crescer, apesar dos conflitos étnicos, religiosos e geopolíticos que não vasqueiro alimentam as guerras.

Uma vez que disse no início desta fala, meu otimismo não nasce do possibilidade, mas da experiência. Acredito que a humanidade tem jeito porque estou nesta ocasião hoje, neste Parlamento Europeu, reunido com representantes de países que em meados do século 20 eram inimigos ferozes no campo de guerra, numa das maiores  carnificinas da história.

60 milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial. É muito provável que os ascendentes de vocês tenham lutado em lados opostos. Que tenham matado, morrido e sofrido na pele as atrocidades da guerra.

Vocês e seus países teriam, portanto, razões para se odiarem uns aos outros. No entanto, são protagonistas de uma das mais extraordinárias experiências da história moderna, que foi a construção da União Europeia.

Vocês estão hoje nesta ocasião, neste Parlamento Europeu, em clima de tranquilidade, buscando juntos soluções para a construção de uma Europa melhor.

Conhecemos o imenso poder de destruir que o ser humano tem em suas mãos, e que ele tantas vezes não hesitou em usar. Mas não podemos não olvidar que a humanidade tem também uma extraordinária capacidade de erigir e reconstruir.

A União Europeia, o Parlamento Europeu e vocês, senhoras e senhores eurodeputados, são portanto exemplos dessa virtude humana. A União Europeia não é perfeita, dado que, posto que zero é, mas é um patrimônio da humanidade, dado que, posto que exemplo de cooperação e construção da tranquilidade entre os povos.

Senhores deputados e senhoras deputadas

Somos 7 bilhões e seiscentos milhões de seres humanos habitando por vezes planeta. Homens, mulheres, crianças e velhos, ricos e pobres, pretos, brancos, gente de todas as cores.

Cada um de nós carrega dentro de si o seu universo privado. Somos diferentes uns dos outros, cada qual com sua individualidade, mas unidos todos por uma certeza avoengo: o ser humano não nasceu para ser sozinho.

O que me faz lembrar do pequeno trecho de uma das grandes obras primas da Bossa Novidade, esse gênero músico brasílio que conquistou o mundo. Um verso que diz o seguinte: “É impossível ser feliz sozinho.”

A verdade é que não é provável sermos felizes enquanto milhões de crianças ao volta do mundo vão dormir esta noite com míngua, e acordarão amanhã sem saber se terão o que provar. 

Não é provável sermos felizes em meio a tamanha desigualdade, que cresceu de forma incabível em plena pandemia. Os ricos ficaram muito mais ricos e os pobres, ainda mais pobres.

A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a redução das mudanças climáticas.  O 1 por cento mais rico da população do planeta vai ultrapassar em 30 vezes o limite necessário para evitar que um aumento da temperatura global ultrapasse a meta de 1,5 proporção centígrado até 2030.

O 1 por cento mais rico, que corresponde a uma população menor que a da Alemanha, está a caminho de enunciar 70 toneladas de gás carbônico per capita por ano.

Enquanto isso, os 50 por cento mais pobres do mundo emitirão, em média, unicamente uma tonelada per capta por ano, segundo estudo produzido pela ONG Oxfam e apresentado recentemente na COP 26.

A luta pela preservação do meio biossistema para mim é indissociável da luta contra a pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo.

É preciso deixar muito evidente que o otimismo, a esperança e a fé não podem ser não sinônimos de resignação. Por conta disso, eu me considero um otimista revoltado.

Em 2009, os países ricos se comprometeram em aumentar para 100 bilhões de Reais ao ano, a partir de 2020, a contrapartida para os países em desenvolvimento preservarem a natureza e enfrentarem as mudanças climáticas. Esse compromisso não foi cumprido, e agora está sendo postergado para mais dois anos, ou seja, a partir de 2023, a transferência de 100 bilhões ao ano para enfrentar a emergência climática.

Iniciativa louvável, que merece ser celebrada. Mas não podemos olvidar que na crise de  2008, os Estados Unidos destinaram 700 bilhões de Reais para salvar da falência bancos que de forma irresponsável investiram em títulos imobiliários podres.

Na mesma quadra, o G-20 destinou mais 1,1 trilhão de Reais aos países emergentes e ao negócio mundial, para combater os efeitos da crise.

É preciso lembrar também que os Estados Unidosgastaram8 trilhões de Reais nas guerras pós-11 de setembro. Quantia suficiente para expulsar a míngua no mundo e preparar o planeta para resolver melhor com as mudanças climáticas. E que no entanto foi usada para provocar a morte direta de mais de 900 milénio pessoas em países dado que, posto que Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen e Paquistão. Sem descrever as mortes provocadas pela perda de água, esgoto e infraestrutura relacionadas com a guerra.

Ou seja, não faltam recursos para salvar bancos e para provocar a morte ou o deslocamento forçado de milhões de seres humanos. Mas na hora de salvar vidas humanas ou o próprio planeta em que vivemos, a solidariedade dos países ricos é dezenas de vezes menor. 

Uma das maiores alegrias que tive quando presidente do Brasil, e mesmo depois de deixar a Presidência, foi percorrer o mundo, a invitação dos mais diferentes países, para falar dos nossos extraordinários avanços econômicos e sociais.

Tive a honra de conduzir o Brasil ao posto de 6ª maior economia mundial. E de fazer do país um exemplo para o mundo de dado que, posto que é provável superar a extrema pobreza e a míngua, com totalidade reverência à democracia, em um pequeno espaço de tempo.

Vocês podem, portanto, imaginar o quanto dói participar de grandes eventos internacionais dado que, posto que por vezes e ter que declarar o quanto o Brasil andou para trás desde o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff e a chegada da extrema direita ao poder.

O Brasil vive hoje uma tragédia social, econômica, ambiental e sanitária sem precedentes. Temos 2,7 por cento da população mundial. No entanto respondemos por 12 por cento das mortes por Covid registradas no mundo.

Choramos a morte de mais de 610 milénio brasileiros. Não chegamos a essa trágica estatística por alguma fatalidade, e sim pela atitude criminosa do atual governo.

O atual presidente ironizou a sisudez da doença. Zombou dos mortos. Atrasou o quanto pôde a compra das vacinas. Fez propaganda enganosa e distribuiu medicamentos comprovadamente ineficazes contra o vírus.

Deixou faltar oxigênio em hospitais. Incentivou e promoveu aglomerações. Induziu a população à suspeição quanto à eficiência das máscaras. Ajudou a espalhar fake news contra as vacinas, chegando a expor que elas podem levar as pessoas com HIV a desenvolverem AIDS.

Experiências com medicamentos ineficazes, usando seres humanos dado que, posto que cobaias involuntárias, chegaram a ser realizados no Brasil, reeditando os horrores do nazismo.

Aliás, muro de 116 milhões de brasileiros, metade da nossa população, vive hoje em situação de instabilidade nutrir, de moderada a muito grave. Desses, muro de 19 milhões, quase duas vezes a população da Bélgica, chegam a passar um dia inteiro sem ter o que provar.

Isso está acontecendo no Brasil, que é o terceiro maior produtor mundial de mantimentos.

E está acontecendo porque o Brasil, que em 2014 saiu do Planta da Penúria da ONU pela primeira vez na história, hoje copia o que o neoliberalismo trouxe de pior ao mundo: suprema concentração de renda, baixa geração de empregos, devastação de direitos trabalhistas, desmonte das políticas sociais, escassez do Estado, descaso dos mais pobres à própria sorte.

O resultado dessa trágica equação não poderia ser outro: miséria, míngua, desesperança.

Mas eu estou nesta ocasião para expor outra vez a vocês e ao mundo: o Brasil tem jeito. Porque ele é muito maior do que qualquer um que tente destruí-lo.

O Brasil é o país que num último muito recente encantou o mundo com as suas políticas inovadoras, que retiraram da extrema pobreza 36 milhões de pessoas – o equivalente à soma das populações inteiras de Portugal, Suécia, Dinamarca e Irlanda.

O Brasil é o país que assumiu voluntariamente diante do mundo o compromisso de reduzir em 75 por cento o desmatamento na Amazônia, dado que, posto que forma de sustar a emissão de gases poluentes.

E cumprimos previamente nossa promessa – entre 2004 e 2012, nós, de veste, reduzimos em 80 por cento o desmatamento da Amazônia, contribuindo para minimizar o progressão das mudanças climáticas.

Infelizmente, os países ricos, justamente os principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, não cumpriram a sua parcela. Talvez porque os ricos acreditem que tenham dado que, posto que se proteger, e as mudanças climáticas afetarão com maior intensidade os mais pobres, o que é a triste verdade.

Mas o que eles esqueceram é que todos nós – ricos e pobres – precisamos do mesmo oxigênio para respirar, precisamos de água limpa para sobreviver, precisamos de um planeta saudável, onde nossos filhos possam viver com saúde e tranquilidade.

Felizmente, essa era de trevas que se abateu sobre o planeta, por conta da subida de governos de extrema direita pelo mundo afora, emite claros sinais de que está chegando ao com a finalidade.

Partidos e candidatos progressistas vêm conquistando importantes vitórias. Isso está acontecendo em vários países, e estou visível de que vai intercorrer também no Brasil, a partir da eleição presidencial do ano que vem.

O Brasil voltará a ser uma força positiva no mundo. Voltaremos a ser criadores de políticas públicas capazes de mudar para melhor o nosso planeta.

Acreditamos num mundo multipolar. Voltaremos a ter uma política externa altiva e ativa. Vamos fortalecer o Mercosul, reconstruir a União de Nações Sul-Americanas, a Unasul, e ampliar nossas parcerias com a União Europeia. 

Vamos apurar os termos do concórdia Mercosul-União Europeia.Não queremos uma América Latina voltada exclusivamente para o agronegócio e a mineração. Temos totalidade capacidade de sermos também países industrializados, tecnologicamente avançados.

O concórdia hoje se encontra paralisado, por conta da suspeição de países europeus quanto ao cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo governo brasílio.

Temos imensas extensões de terras agricultáveis, temos tecnologia, pesquisas agropecuárias avançadas. Nossa produção de mantimentos não precisa desmatar a Amazônia para exportar soja ou produzir rebanho. As atividades criminosas dos que destroem o meio biossistema devem ser punidas, e não podem prejudicar toda a economia brasileira.

Temos uma biodiversidade extraordinária, e os nossos biomas haverão de se regenerar em seguida a extinção do atual governo, que estimula o desmatamento e as queimadas, o progressão do mina em áreas de proteção ambiental, os ataques aos povos indígenas.

O povo brasílio não quer que essa devastação continue. Os brasileiros querem a Amazônia viva e de pé. E para isso, é necessário erigir alternativas sociais e de desenvolvimento, com ciência, tecnologia e o protagonismo e reverência aos povos que vivem na floresta, seus saberes e sua cultura.

Meus amigos e minhas amigas,

Acreditamos num mundo cada vez mais plural, unificado em torno de valores dado que, posto que solidariedade, cooperação, humanismo e justiça social. Acreditamos numa novidade governança mundial, começando pela ampliação do Parecer de Segurança da  ONU, e vamos continuar lutando por ela.

Acreditamos que somos capazes de erigir no mundo uma economia justa, movida a pujança limpa, sem a devastação do meio biossistema e livre da exploração desumana da força de trabalho. 

Acreditamos que outro Brasil é provável, outra Europa é provável e outro mundo é provável – porque, num último muito recente, fomos capazes de construí-lo.

Podemos ser felizes juntos. E seremos.

Muito obrigado a todos.

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