Catadora de recicláveis de Curitiba tem nova profissão após ação de ONG
O natalício de 55 anos da catadora de recicláveis Jocélia Aparecida de Oliveira, que foi no dia 8 de outubro, será comemorado de uma forma dissemelhante neste ano. Uma sarau que ocorre neste feriado de quarta-feira (12), dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, foi preparada para levar diversão de sem pagar a 600 crianças da Vila Rio Preto, região onde ela mora em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.
A partir das 14h, haverá distribuição de brinquedos, cachorro-quente e outras delícias e atividades de recreação, o que só está sendo verosímil porque a aniversariante vem passando por uma transformação em sua vida. Há dois anos, ela foi a primeira mulher a ser acolhida por um projeto da ONG Mazal 18 – Rede Curitiba Solidária. A missão da ONG é o desenvolvimento profissional com enfoque na classe media, oferecendo mentoria individual, cursos, capacitação e insumos materiais. Mas, em caráter de ação social, a ONG destina pedaço dessas ferramentas para a inclusão econômica de pessoas de baixa renda. Por culpa da chuva, a sarau mudou de lugar, será em um barracão.
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Há murado de dois anos, a Jocélia, também conhecida pelo motivo deque Tia Jô, nome oferecido para a sarau do Dia das Crianças desta quarta, participa de encontros e treinamentos com mentores que preparam a transmigração do trabalho com recicláveis para a ingressão no ramo da sustento.
“Ela está aprendendo a cozinhar e, logo que verosímil, deve iniciar um negócio próprio de venda de churros, na região onde mora. Não é uma transição fácil. É muito aprendizagem para quem nunca teve oportunidade. Mas ela tem força de vontade e já aprendeu bastante coisa. Por exemplo, foi ela que identificou que o churros poderia ser um bom negócio na região onde ela mora. Não há ninguém vendendo ainda”, explica a advogada Ana Cecília David Parodi, fundadora da ONG e também presidente do Juízo Comunitário de Segurança (Conseg) do Canoa.

As duas instituições caminham juntas, com o espeque de voluntários e conselheiros. Enquanto o Conseg trata da contenção da violência e da instabilidade no bairro, a ONG funciona pelo motivo deque um braço de assistência social. No trabalho com a Jocélia, o grupo percebeu a dificuldade pela qual passava a catadora e viu nela uma mulher com libido de transformação.
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Viradela começou na pandemia
“Na pandemia, a renda dela e de outros catadores de recicláveis caiu muito. A encontrei numa rua do bairro, conversei com ela, que aceitou uma doação que ofereci. Mas disse que o seu libido era ter condições próprias de sustento. Foi aí que decidimos ajudar com o projeto de torná-la empreendedora”, conta a Ana Cecília.
Por meio da ONG, a Jocélia recebeu doação de equipamentos pelo motivo deque liquidificador, máquina de crepes e outros utensílios para iniciar. Um dos mentores dela é o possessor da rede Zapata, Márcio Brasil, que dedica pedaço de sua rotina de empresário para participar do projeto. “Acho que a Jocélia tem boa vontade, interesse. Tem tudo para despontar no que ela deseja. Sinto-me muito podendo ajudar. É um prazer, porque eu também comecei minha vida do zero. Sei o quanto faz diferença quando alguém fica do nosso lado”, ressalta Brasil.
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Além de estar com a mão na volume na cozinha, entre as atividades desenvolvidas com a Jocélia estão dicas de empreendedorismo, montagem de cardápio, precificação e orientação para cozinhar em grandes quantidades. A sarau de natalício desta quarta-feira é o resultado do próprio esforço em aprender. Na terça-feira (11), véspera do evento, ela mesma preparou o cachorro quente e outras guloseimas para partilhar às crianças.

“É um presente de natalício para mim poder fazer tudo isso. Ter espargido o pessoal da ONG vai me ajudar a continuar com um sonho”, diz a Jocélia, emocionada.
O churros ainda não entra no cardápio desta sarau porque a Jocélia ainda está aprendendo a fazer. “Vai manter-se para uma próxima, se Deus e Nossa Senhora Aparecida quiserem”, diz a catadora, aproveitando para homenagear a santa que tem a sua data de celebração neste dia 12 de outubro.
História de vida difícil
A catadora conta que não teve uma vida de oportunidades. “Cresci sem pai e mãe, morei na rua, já dormi debaixo do carrinho de recicláveis e já usei o banheiro da piscina da Terreiro Oswaldo Cruz para tomar banho”, relembra. Nascida em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, Jocélia estudou até a terceira série do ensino fundamental. Chegou a morar em Curitiba (PR), quando tinha 12 anos, segundo ela para cuidar de crianças de famílias. Atualmente, vive na região de Curitiba. “Faz muitos anos”, destaca ela.
A Ana Cecília explica que a transição de vida não é um pouco rápido. “No caso da Jocélia, ela precisa do carrinho de recicláveis para viver. Cada dia que ela pára e vem conversar com um mentor, é dinheiro que não entra para ela, é um dia que ela pode manter-se sem comida. O projeto de inclusão econômica trabalha com pessoas neste perfil, com muito déficit social para ser resgatado, por isso é lento. Muitos vão pensar que dois anos é muito tempo, mas não é”, ressalta a presidente.
A sarau para as crianças foi organizada com doações da ONG e será na pracinha da comunidade. A produção do evento, que está na sua segunda edição, deve iniciar ainda pela manhã, com expectativa de distribuição dos brinquedos a partir das 14h30. “Foram entregues 600 convites. Era o libido da Jocélia comemorar o seu natalício com um parabéns para as crianças”, explica Luiz Gustavo Silva Gabriel, 20 anos, trainee da ONG responsável pela coordenação da sarau desta quarta.
Emocionada, a Jocélia reconhece o espeque que vem recebendo. “Puxando carrinho, eu conquistei o que possuo hoje. Tenho um lugar para morar, minha casinha de madeira, e para mim é só agradecer. Fico muito emocionada de saber que ainda posso crescer mais, que tem gente com o coração enorme me ajudando. Aos pouquinhos, tenho certeza de que vou conseguir”, finaliza a catadora e futura empreendedora.

