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A vida dos Percevejos

Ciclo de vida dos percevejos

Triatomíneos

Todo triatomíneo só é capaz de se desenvolver e procriar realizando a hematofagia, desde a sua primeira fase de vida até adulto, tanto os machos como as fêmeas. Daí, o estreito relacionamento desses insetos com os animais – principalmente aves e mamíferos. Algumas espécies podem estabelecer uma relação muito grande com um hospedeiro, vivendo em estreita dependência. Outros são mais ecléticos, e podem viver em diferentes ambientes, associados a diferentes fontes de alimento.

Apesar de resistirem a jejum prolongado (dois meses ou mais em ambiente com temperatura e umidade adequadas!), estes insetos só se desenvolverão depois de alimentados. São de hábitos noturnos: durante o dia se escondem nos seus abrigos, mas à noite, enquanto o hospedeiro dorme, exercem a hematofagia. Alguns exemplares adultos (alados), entretanto, podem ser atraídos pela luz, isto é: os “barbeiros”, que vivem no peridomicílio ou em tocas de animais, podem voar até dentro de casa, atraídos por lâmpadas ou lampiões acesos. O interessante é que, após chegarem dentro de casa, atraídos pela luz, tratam logo de se esconder em alguma fresta ou atrás dos móveis e dos quadros nas paredes.

Ciclo Biológico

Como todo Hemiptera, os triatomíneos são paurometábolos. Assim, o seu ciclo biológico, após a fase de ovo, passa por cinco fases imaturas (ninfas de primeiro a quinto estádio) antes de atingir o estádio adulto. Entre uma fase e outra os triatomíneos precisam se alimentar de sangue. Em condições controladas de laboratório, para completar seu desenvolvimento de ovo a adulto, o triatomíneo gasta cerca de quatro meses, variando de acordo com a espécie. Na natureza, entretanto, este período é geralmente maior, dependendo das condições de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

Uma fêmea de Triatoma infestans é capaz de botar até 300 ovos durante sua vida, que pode durar cerca de um ano e meio! O período médio de incubação é de 20 dias. Como as ninfas não possuem órgãos genitais desenvolvidos, somente os adultos são capazes de copular e fazem isto várias vezes durante sua vida.

Dinâmica Populacional

De maneira geral, o tamanho da população de triatomíneos dentro do domicílio humano está relacionado com o número de hospedeiros disponíveis. Entretanto, o status nutricional da população depende do número de insetos por hospedeiro. Um aumento na densidade de triatomíneos induz a maior percepção das picadas sofridas pelo hospedeiro, o que diminui a quantidade média de sangue ingerido por cada barbeiro. Esta redução na tomada de sangue prolonga o estádio ninfal, reduz a fecundidade das fêmeas e aumenta a probabilidade de dispersão pelo vôo dos adultos. Tudo isso atua conjuntamente na regulação da densidade populacional destes insetos.

A exploração do recurso alimentar (isto é, o sangue de seu hospedeiro) pelo triatomíneo está relacionada com a dinâmica das dejeções e, consequentemente, com a transmissão do T. cruzi. O momento da dejeção não só depende da espécie de triatomíneo como também da quantidade de sangue ingerido: quanto maior a quantidade de sangue ingerido, mais rapidamente o inseto defeca.

Os “barbeiros” têm três tipos de dejeções:

a) urina cristalina, emitida logo após cada repasto;

b) urina amarelada, emitida cerca de 24 a 48 horas após o repasto e

c) fezes escuras, emitidas logo após ou algumas horas depois da alimentação.

Se o barbeiro estiver infectado, qualquer do três tipos pode conter a forma infectante do T. cruzi, mas é a urina a que contém maior número delas. Se uma ninfa de primeiro estádio se alimentar uma única vez sobre um hospedeiro infectado com o T. cruzi, ela poderá eliminar a forma infectante do protozoário em seus dejetos durante toda a sua vida! Porém, sabe-se que não ocorre transmissão do T. cruzi da fêmea para os ovos, nascendo todos os insetos livres do parasita. O parasita, por outro lado, não é patogênico para o barbeiro. Isto que dizer que o barbeiro é apenas um transmissor da Doença de Chagas, e deste modo, não desenvolve a doença.

Ecologia

A distribuição dos triatomíneos é geralmente determinada pela fonte de alimentação. Quando o hospedeiro desaparece (é comum que o animal mude ou seja predado), os triatomíneos são forçados a emigrar em busca de novo hospedeiro. As ninfas estão limitadas a um deslocamento ambulatório, e embora sua capacidade dispersiva seja lenta, são capazes de resistir ao jejum prolongado. Os adultos, ao contrário, dispondo de reduzida reserva alimentar, deslocam-se pelo vôo, o que lhes permite migrações rápidas e a longas distâncias (até 500 metros em uma semana!).

Para as espécies que se alimentam de sangue humano ou de animais domésticos, a casa representa um ambiente altamente estável, oferecendo diversos esconderijos e fartura alimentar durante o ano. Graças a esta estabilidade, as populações domiciliares de triatomíneos podem atingir grande número de indivíduos, ao contrário do que normalmente ocorre no ambiente silvestre.

Principais tipos de ambientes:

Podemos considerar três tipos de ambientes onde os triatomíneos vivem e devem ser procurados: silvestre, peridomiciliar e domiciliar ou doméstico. Neles encontramos uma variedade de locais onde vivem os “barbeiros”, que são os seguintes:

Silvestres


Cascas soltas de árvores mortas, ocos de várias espécies de árvores (tocas ou abrigos de gambás, morcegos e roedores etc.), fendas ou amontoados de pedras, lapas, imbricação das palmas ou folhas de várias espécies de plantas (palmeiras, piteiras, agaves, bromeliáceas ou gravatás), ninhos de aves e tocas ou buracos de animais (tatus etc.).

Peridomiciliares


Galinheiros (paredes, tetos e ninhos de galinhas) paióis, postes ou moirões de chiqueiros ou currais, pombais, coelheiras, amontoados de lenhas e pilhas de tijolos ou telhas.

Domiciliar ou doméstico


Casa ou habitação humana – geralmente casas construídas de taipa, pau-a-pique, casas de tijolos sem reboco ou de madeira. Aí os triatomíneos devem ser procurados debaixo de colchões, nas frestas das paredes, sob o reboco solto, fornos ou fogões desativados, caixotes, atrás de figuras de santos e calendários presos nas paredes, e, muitas vezes, ninhos de aves ou de cães e gatos mantidos dentro da casa.

Sabemos que os triatomíneos são insetos originalmente silvestres, e algumas espécies se adaptaram secundariamente aos ambientes artificiais, entre eles o ambiente urbano. Para se verificar a presença de barbeiros dentro das habitações humanas, podem ser usados os seguintes recursos:

 procura de sinais de dejetos (gotas escuras ou claras, dependendo da digestão do sangue, às vezes, “escorridas” nas paredes),
localizadas principalmente junto das camas;

 procura de exúvias (o esqueleto de quitina deixado para trás quando o inseto sofre muda) nas paredes e frestas;

 utilização de caixas de papelão (semelhantes à tampa de caixa de sapato) medindo 30 cm de largura, 40 cm de altura e 3 cm de
profundidade. São afixadas nas paredes, próximas às camas e após alguns dias de repouso, verifica-se a presença de barbeiros
dentro delas.

Cimicídeos

Os percevejos de cama são hematófagos obrigatórios, como os triatomíneos. Uma fêmea é capaz de botar até 540 ovos durante sua vida (que pode durar mais de um ano!). Também são paurometábolos, e o ciclo biológico passa pelas seguintes fases:

ovo – ninfa I – ninfa II – ninfa III – ninfa IV – adulto.

O período de incubação dos ovos dura cerca de 10 dias. De ninfa I até atingir o estagio adulto o ciclo demora cerca de três meses, em ambiente com temperatura de 23°C.

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